O projeto de Orçamento 2027 do Senegal foi tornado público este 15 de outubro. Está projetado em receitas de 6 012,1 mil milhões FCFA contra 5 848,7 mil milhões FCFA para a lei de orçamentos 2026 ajustada, ou seja, um aumento de 163,4 mil milhões FCFA em valor absoluto e 2,8% em valor relativo; em despesas de 7 363,7 mil milhões FCFA contra 7 583,9 mil milhões FCFA para a lei de orçamentos 2026 ajustada, ou seja, uma redução de 220,1 mil milhões FCFA em valor absoluto e 2,9% em valor relativo.
Para o economista Babacar, quatro pontos de atenção impõem-se com o projeto de lei de orçamentos inicial para 2027. O primeiro, segundo ele, prende-se com a dívida.
Pois os juros, 1 303,9 mil milhões, representam 96,5 % do défice global, e o saldo primário cai de 450 mil milhões para 47,7 mil milhões, ou seja, 0,2 % do PIB. Segundo a leitura do especialista, o serviço total da dívida atinge 5 855,8 mil milhões, mais do que as receitas ordinárias de 5 452,6 mil milhões.
Assim, por cada 100 francos arrecadados, 107 vão para os credores, e ainda 84 se excluirmos a renovação dos títulos do Tesouro. "Sobretudo, 319,5 mil milhões de juros, ou seja, um quarto do total, incidem sobre emissões e desembolsos futuros, portanto sobre uma dívida ainda não contraída, enquanto a exposição de motivos reconhece a perda de acesso aos mercados internacionais.
Esta carga depende de taxas que o Estado não controla", sustenta Babacar Gaye. O segundo ponto de atenção, segundo a sua leitura, toca na natureza do ajustamento.
Aos seus olhos, o texto, diz o economista, afirma que o esforço incide primeiro sobre a despesa, prioritariamente sobre os subsídios à energia. Ora, a redução de 220,1 mil milhões é mais do que coberta pela do investimento, que recua 237,1 mil milhões, dos quais 176,4 sobre recursos internos, ou seja, 15,6 %.
Uma massa salarial em progressão Para Babacar Gaye, as despesas correntes, juros incluídos, diminuem apenas 9,2 mil milhões, com a massa salarial a progredir 4,1 % para uma inflação de 2,7 %. A reclassificação das transferências para bens e serviços, diz ele, baralha aliás a leitura da economia realizada sobre a energia.
Pois o exercício 2025 já se tinha saldado por uma compressão do investimento público, e o crescimento excluindo hidrocarbonetos atingiu então apenas 2,2 %. Consolida-se cortando no que prepara o crescimento de amanhã.
O terceiro eixo de leitura diz respeito aos rácios. O executivo, constata o economista, apresenta um défice reduzido de 7,6 % para 4,7 % do PIB, ou seja, cerca de três pontos.
O projeto não fornece o PIB nominal senão para 2027, a 28 772 mil milhões, o que confirma os 4,7 %. Assim, constata que para que 1 735,2 mil milhões pesem 7,6 % em 2026, seria necessário um PIB próximo de 22 800 mil milhões, portanto um crescimento nominal superior a 25 % num ano, o que nem 2,4 % de crescimento real nem 2,7 % de inflação permitem.
"Numa base homogénea, o défice de 2026 rondaria 6,3 % do PIB e a melhoria seria de cerca de 1,6 ponto. Mudança de perímetro ou de milésimo do PIB, o executivo deve um quadro de passagem antes da votação", diz Babacar Gaye.
Uma fragilidade do financiamento O quarto ponto, segundo ele, incide sobre a fragilidade do financiamento. As receitas internas excluindo hidrocarbonetos segundo Babacar Gaye.
Aumentam apenas 0,2 % contra uma tendência histórica superior a 8 %, e o orçamento conta ainda com 315 mil milhões de medidas do plano de recuperação, realizadas a 56,9 % do seu objetivo no final de agosto. Assim, nota que a necessidade de financiamento de 6 608,7 mil milhões, ou seja, 23 % do PIB, serve a 68,9 % para reembolsar dívidas já vencidas, o que o texto reconhece ele próprio.
Continuando a sua análise, sublinha que mais de 800 mil milhões de apoios concessionais, cerca de 60 % do défice a financiar, dependem de um programa do FMI de 2,2 mil milhões de dólares que apenas superou a etapa do acordo técnico. Publicado a 16/10/26 09:22 Mouhamadou Dieng
